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  2° Dia do Suíno discute genética suína no Brasil

Guarapuava contou com uma programação técnica importante na quarta-feira, 28, no Guarapuava Esporte Clube. O Sindicato Rural de Guarapuava e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) – Núcleo de Estudo em Aves e Suínos – promoveram o 2° Dia do Suíno, com palestras sobre o tema “Genética – Principais pontos de importância econômica”.

Segundo o diretor do Sindicato Rural de Guarapuava, Wienfried Matthias Leh, o objetivo do evento foi divulgar a carne suína e a suinocultura como atividade essencial para geração de emprego e renda no município de Guarapuava. “Não justifica nossa exportação de grãos para regiões produtoras de suínos. Temos condições de transformar 100% da produção de grãos de Guarapuava em carne (suína, ovina, bovina etc.)”, afirma.

Para o professor do curso de Medicina Veterinária da Unicentro, Paulo Roberto Ost, a atualização dos profissionais foi outro objetivo do evento. “Reunir estudantes, produtores de suínos e técnicos ligados ao setor suinícola para discutir a genética foi gratificante porque falta, na região, uma organização da atividade. Temos potencial para suinocultura devido à força dos grãos, principalmente, milho e soja, mas falta uma organização da cadeia produtiva”, acredita.

A discussão sobre o tema reuniu profissionais da área de genética. O médico veterinário Ricardo Josué Cogo (Empresa Topigs) abriu a programação, com as palestras “Fundamentação sobre Genética Suína” e “Foco do Programa de Melhoramento – Índices de Seleção”. Em seguida, a médica veterinária da Agroceres PIC, Melissa Meinhardt, falou sobre “Trânsito Internacional de Material Genético” e “Seleção de Fêmeas e Machos Comerciais”.

Já no período da tarde, o gerente de produção da Pen Ar Lan, Leonardo Watt, falou sobre “Estrutura Piramidal de Multiplicação do Material Genético”. A programação continuou com a palestra de Melissa Meinhardt sobre “Melhoramento Genético na Qualidade e Eficiência da Carcaça” e Mesa Redonda com os palestrantes do dia, moderada pelo professor Paulo Roberto Ost, encerrando com um jantar à base de carne suína.

O evento reuniu 300 pessoas, entre estudantes, suinocultores, técnicos de granjas e representantes de empresas de genética e nutrição da região de Guarapuava e contou com o apoio do Sistema FAEP, Cooperativa Agrária, Prefeitura Municipal de Guarapuava, Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Associação Paranaense de Suinocultores, Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), Emater, Nuvital Nutrição Animal, Tortuga Nutrição e Sanidade Animal, Vetfarma, Agrária Suínos, CEVA, Erva Mate 81, Supermercado Pague Pouco, Pulsar Propaganda, Supermercado Ducat, Grafel e Médico Veterinário Glauber Machado.

 

Suinocultura na região

 

De acordo com Wienfried Mathias Leh, suinocultor e diretor do Sindicato Rural de Guarapuava, a região conta com 40 a 50 suinocultores, sendo que apenas 20 estão exercendo a atividade, somando aproximadamente 6.000 matrizes produtivas e um plantel de 60.000 animais. “A suinocultura na região foi impulsionada na década de 70, com a criação da Associação Paranaense de Suinocultores no dia 30 de março de 1971, mas poucos produtores continuaram na atividade. Depois, na década de 90, houve novo impulso com a Cooperativa Agrária e com a chegada da Sadia trazendo projetos de produção de leitões. No entanto, a atividade não vingou devido aos altos custos dos insumos e pelo fato do milho e da soja serem produtos altamente requisitados e rentáveis na região”, explica.

 

Segundo o suinocultor, a atividade exige muito profissionalismo. “Não acredito na suinocultura familiar porque a atividade exige mão-de-obra 24 horas e a família não consegue isso”, observa.

 

Outro entrave no desenvolvimento da atividade em Guarapuava é a falta de um frigorífico. O mais perto fica em Laranjeiras do Sul, o que reflete no custo do frete do animal vivo. “Além disso, as linhas de crédito para suinocultura não são acessíveis. É muito mais fácil o produtor conseguir dinheiro para plantar soja do que para construir uma granja”, considera.

 

Mercado

De acordo com Leh, recentemente, houve alta considerável no preço do suíno vivo, mas a rentabilidade não foi atingida devido à alta dos grãos ter sido superior a dos suínos. “Enquanto o milho subiu de R$ 18,00 para R$ 30,00 (a saca de 60 quilos), o suíno passou de R$ 1,80 para R$ 2,40 (quilo)”, compara.

Suinocultor há 15 anos, com um plantel de 1.450 matrizes em ciclo completo, ele acredita que o retorno do capital investido na suinocultura é mais rápido do que na agricultura devido ao alto valor das terras da região. “No entanto, o profissionalismo na atividade é fundamental”, reafirma.

 
 


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